Domingo à tarde me obrigo a ir ao trabalho adiantar serviço, para o domingo não passar tão à toa quanto o sábado e a sexta à noite. E, nisso, me pego pensando no quanto, mesmo com amigas muito especiais aqui, estou sozinha.
E no quanto ficar sozinha não me preocupava, da primeira vez que fui morar sozinha em minha vida. Eu tinha 18 anos e aquela solidão toda tinha um gosto gostoso de liberdade. Mesmo que a liberdade não fosse financeira - ali a gente não tinha muito bem essa noção do quanto liberdade está, sim, ligada ao poder fazer o que você quer com o seu próprio dinheiro, conquistado por você mesmo.
Era o começo de uma nova fase, quiçá uma nova vida. Ali, naquele ambiente universitário, solidão era uma coisa tão comum que todo mundo se unia pra ficar sozinho juntinhos. Lá, não existia sexta à noite quieta, sábado, nem que chuvoso, solitário, e domingos trabalhando - porque a solidão de todos, ali, fazia com que nos juntássemos todos os dias, nem que fosse pra assistir TV, comer miojo e jogar truco (ou tranca, ou imagem e ação, ou sueca, ou qualquer coisa...). Era uma solidão coletiva, gostosa, companheira. Era uma solidão - por que não?! - feliz.
Agora, da segunda vez que vivo só, essa solidão não é assim. Tenho, sim, amigas, e boas amigas aqui. Mas, quando se é 'gente grande', cada um tem sua vida, seus problemas, suas coisas para cuidar. E eu não posso exigir delas que venham acompanhar minha solidão - seria egoísmo demais de minha parte. Sei que, vendo assim, essa liberdade de agora é muito menos gostosa que a de outrora, mesmo que maquiada. E muito mais vazia. Só que a gente cresce e isso faz parte da vida. E é assim mesmo. Um dia a menina vira mulher, e ela tem que aprender a lidar com isso. E pronto.