quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Anos modernos

Antes, a ânsia era pela chegada das longas, românticas e super demoradas cartas. Estas foram substituídas pelas ligações, mais presentes, mais atuais, mais reais e muito mais caras. Agora, nesse instante, fico olhando para a barra de ferramentas no monitor, torcendo para uma janelinha laranja abrir com um simples oi. Evoluímos?!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Confissões

- É tão difícil deixar você...
E pronto. Ganhei meu dia.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Uma moeda, dois lados

Pessoa 1: O que você sente por mim?
Pessoa 2: Ah, eu gosto de você. Não como eu gostei um dia, mas gosto. Gosto da amizade, gosto da pessoa que é. Gosto da companhia, do carinho, das conversas. Gosto.
P1: Então, quando eu estou com você até quero que gente fique junto. Mas tenho medo de reavivar o que você sentia. Tenho medo que a amizade se perca, agora que a recuperamos. E dela eu não quero me afastar mais.
P2: Bom, eu tenho certeza que o que eu sentia não vou sentir nunca mais.
P1: Mesmo assim. Você é importante demais na minha vida e eu não quero estragar tudo. Sinceramente, eu prefiro não correr o risco.
...
Pessoa 3: Você não sabe o quanto é difícil amar alguém e não poder ter essa pessoa. Eu amo você, você sabe disso, mas eu não quero mais. É complicado falar com você e ter que ficar medindo as palavras, segurando o que eu quero falar...
P2: Você prefere que a gente não converse mais? Se você quiser, eu não te ligo mais, e entendo se você não me ligar.
P3: Não é isso. Eu gosto de falar com você, eu adoro quando a gente conversa. Mas é difícil, poxa.
P2: Eu sei. Mas é que tem coisas que só o tempo mesmo. Se você quiser... Mas eu quero que saiba que nunca menti para você. Que realmente gosto muito de ti, e que você é uma das pessoas mais especiais da minha vida.
P3: Eu sei que é verdade, mas só a verdade não é suficiente, né? Por isso preciso te esquecer, te amo muito, mas não quero te amar. No coração a gente não manda, mas dessa vez preciso mandar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Lar, doce lar

Final de semana prolongado, feriadão. Tudo que um bom brasileiro gosta.
Depois que termino tudo o que precisava no trabalho, pego um 'maringazão' rumo a Foz. Casa do pai. Infelizmente, meus irmãos não puderam vir todos. Mas percebo, hoje, depois que o mais novo foi embora, que só me sinto completamente em casa quando pelo menos um deles está aqui.
Meus irmãos são meu tudo. E os amo, muito. E como é bom poder ter irmãos. E tantos irmãos. Porque minha vida não é completa sem eles. E ponto final.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Acertei errando!"

Quinta-feira, dia de fechamento. Lê-se: corrido pra caramba.
Chego mais cedo que o resto do pessoal, como é comum nesses dias. Quando meu chefe chega, ele comenta alguma coisa sobre a data: 24 de setembro.
- Hoje é dia 24, Sérgio?! - pergunto, assustada.
- É sim...
- De setembro?!
- Isso...
- Nossa! Hoje é aniversário do meu tio, tenho que ligar para ele.
- Putz! Ontem foi aniversário da minha irmã e eu esqueci de ligar! Deixa eu ligar para ela.
E pega o telefone. A partir de então, sou apenas espectadora, ouvinte.
- Oi! Tudo bom?! Foi teu aniversário ontem, né, e eu esqu... aaaah... é hoje?! Acertei errando, então! Parabéns, feliz aniversário.
...
Nem precisa dizer que rolei de rir, né?!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre egoísmo e gratidão

Era perto das 20h30 ontem, quando fui dormir. Deitei com o coração apertado de tanta saudade. Dormi chorando.
Acordo, às 21h30, mais ou menos, com a minha colega de casa chegando.
"Paula, você está aí? Vou fechar a porta, tá?!..."
"Jane?! Oi... tudo bem?"
"Ai, Paula, não..." - e chorou. Como chorou. - "Eu tô com uma saudade da minha mãe!"
Sentou na cama, a abracei. O que fazer numa hora dessas, além de me sentir a pessoa mais egoísta do mundo?!
A mãe da Jane se foi quando ela tinha 13 anos, por causa de um câncer. E ela, sempre tão forte, tomou as rédeas da casa. Ajudou o pai a criar os irmãos mais novos, que a têm como uma mãe. Mas ela também é filha, também é gente, também tem medo. E saudade.
Se para as minhas maiores saudades há pouco que se possa falar, o que dizer à dela? Sim, perdi meu avô e isso ainda é muito recente para mim. Mas não consigo sequer suportar a ideia da ausência do meu pai ou minha mãe. A simples suposição disso me engasga, me deixa sem o que falar - ou pensar.
"Ai, Paula, eu não tô duvidando da justiça do Cara Lá de Cima, mas ele bem que podia ter deixado minha mãe um pouco mais com a gente. Um pouco mais. Até a Joana Paula crescer, pelo menos. Até eu me formar..."
...
Depois de acalmá-la, antes de dormir, fiquei pensando nisso. E no quanto preciso agradecer em poder dizer "te amo, tô com saudades" e poder ouvir um "eu também".

domingo, 20 de setembro de 2009

Sobre solidão coletiva e solidão, mesmo

Domingo à tarde me obrigo a ir ao trabalho adiantar serviço, para o domingo não passar tão à toa quanto o sábado e a sexta à noite. E, nisso, me pego pensando no quanto, mesmo com amigas muito especiais aqui, estou sozinha.
E no quanto ficar sozinha não me preocupava, da primeira vez que fui morar sozinha em minha vida. Eu tinha 18 anos e aquela solidão toda tinha um gosto gostoso de liberdade. Mesmo que a liberdade não fosse financeira - ali a gente não tinha muito bem essa noção do quanto liberdade está, sim, ligada ao poder fazer o que você quer com o seu próprio dinheiro, conquistado por você mesmo.
Era o começo de uma nova fase, quiçá uma nova vida. Ali, naquele ambiente universitário, solidão era uma coisa tão comum que todo mundo se unia pra ficar sozinho juntinhos. Lá, não existia sexta à noite quieta, sábado, nem que chuvoso, solitário, e domingos trabalhando - porque a solidão de todos, ali, fazia com que nos juntássemos todos os dias, nem que fosse pra assistir TV, comer miojo e jogar truco (ou tranca, ou imagem e ação, ou sueca, ou qualquer coisa...). Era uma solidão coletiva, gostosa, companheira. Era uma solidão - por que não?! - feliz.
Agora, da segunda vez que vivo só, essa solidão não é assim. Tenho, sim, amigas, e boas amigas aqui. Mas, quando se é 'gente grande', cada um tem sua vida, seus problemas, suas coisas para cuidar. E eu não posso exigir delas que venham acompanhar minha solidão - seria egoísmo demais de minha parte. Sei que, vendo assim, essa liberdade de agora é muito menos gostosa que a de outrora, mesmo que maquiada. E muito mais vazia. Só que a gente cresce e isso faz parte da vida. E é assim mesmo. Um dia a menina vira mulher, e ela tem que aprender a lidar com isso. E pronto.